Um ato solitário
- Vitoria Carolini
- 24 de jul. de 2021
- 3 min de leitura

"Vacina no braço; comida no prato". Hoje, dia 24, ocorre mais uma entre tantas manifestações que vem ocorrendo em plena pandemia. Participei? Infelizmente, não. Estudo e trabalho — como educadora de redação no PUP Alternativa — em Santa Maria, mas o bendito REDE (Regime de Exercícios Domiciliares Especiais) me fez ficar em casa, mais especificamente em Rosário do Sul. Então, o que dizer de RoSul city? Maravilhosa até certo ponto, pois a bendita, conhecida pela praia com suas areias brancas (devastada pelos areeiros), é tão pacata que se torna acomodada.
Esperava mais? Com certeza! Não só sobre a juventude do século XXI, a liderança, a inclusão de pautas minoritárias e, principalmente, (r)evolução; mas também por estarmos diante de um governo genocida que tentou um esquema de corrupção sobre vacinas em plena pandemia além de tantas outras políticas assassinas da nossa segurança, educação e do nosso meio-ambiente. Lutar é a nossa defesa para conseguirmos sobreviver. Além de que a geração millenium, zillenium e a famosa geração Z eram para estar a frente desses atos, exclamando e exigindo pelo cumprimento da nossa democracia, principalmente, numa cidade com um legislativo e executivo exclusivamente patriarcal e exclusivamente conservadora.
Cadê os grupos de voluntariado, antirracistas e LGBTQIA+? Cadê o movimento estudantil rosariense? Cadê os partidos que vão contra esse governo? Será que só existem para as redes sociais e tempos de eleição? Será que falta senso de liderança na minha geração?
Ai ai... Tantas perguntas sem respostas. Porque não basta haver conscientização e usar meia dúzia de hashtag no Instagram contra esse governo. Temos que reagir e ir contra a onda. Senão, além das quase 550 mil mortes, quantas mais vidas se irão? A doença vai além do COVID-19, porque também estamos perecendo pela precarização da nossa segurança, educação e meio-ambiente.
A inflação aumenta sobre produtos básicos, assim como a nossa água e luz. Sentindo na pele apenas pessoas já vulneráveis socialmente. Pessoas negras, indígenas e ciganas morrendo pelas mãos daqueles que deviam as proteger. Áreas de preservação ambiental sendo invadidas e queimadas para o agronegócio. Professores e alunos tendo seus direitos ameaçados para voltarem ao presencial. Casos de feminicídio e LGBQT+fobia aumentando exponencialmente. Além do neonazismo e o fascismo reascendendo explicitamente em plena luz do dia entre os "nossos representantes". Tudo ocorrendo de forma mais intensa nesses últimos pelo aproveitamento da nossa instabilidade e ineficiência política.
"Ah, mas o presidente tem tanta coisa pra resolver, tadinho..." Uma pessoa que nunca foi capaz para algum cargo político, ainda mais no supremo, e ainda fazendo o mínimo pela população tem mais é que renunciar mesmo — sendo até o melhor para todos nós dada as circunstâncias, pois evitaria que tivéssemos que sair nas ruas exclamando pelo seu impeachment. Então, será mesmo que não é hora de Rosário do Sul acordar e lutar contra este mal? Precisamos nos juntar e se fortalecer. Contudo, se a resposta for "não, não precisamos" é porque a cidade já parou no tempo e permanecer aqui não irá evoluir ninguém, apenas emburrecer.
"Ah, mas Vitória, porque você não fez nada hoje?" Realmente, é hipocrisia da minha parte estar aqui comentando sobre o quão frustrada estou com os jovens rosarienses, enquanto fico com a bunda sentada numa cadeira mexendo apenas os dedos. Até porque também sou jovem, mas não vou inventar desculpas, até porque não há, só irei dizer que: esse é o meu ato 24J solitário contra esse governo.
Por último, deixo esse trecho de uma banda gaúcha, que talvez possa "despertar" a sina de você por justiça.
"Enquanto houver almas perdidas pra arte salvar Todos os altos falantes vão tocar até sangrar Se já vivemos no inferno Eu faço dessas chamas o meu lar We'll fight together
Eu sou a presa que aprendeu que junto A gente mata o predador Acostumado a reconstruir Tudo que o mundo derrubou Você se acha forte Mas não sabe o quanto dói se reerguer
Se eu já venci a morte tantas vezes O que vai ser de você"
Fresno - We'll Fight Together
(trad. livre "Nós iremos lutar juntos")


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