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as Letras contra os estudantes


BR.

RS.

SM.

UFSM.

DCE.

NEM.


E por aí vai, completando o uso de todas as Letras do alfabeto para que, no fim, tudo tenha a mesma consequência: o sucateamento da educação desde o ensino básico até o ensino superior — especialmente, sobre os cursos focados em formação de professores; e, especialmente, sobre as licenciaturas dos cursos de Letras.


Oito semestres inviáveis de acompanhar, independente da habilitação, que, aliás, entre os quatro cursos ofertados são habilitações únicas desde 2006. Tudo isso acompanhado de incoerências na formação de professores a partir dos currículos vigentes até o mercado de trabalho, que odeiam o estudante e o profissional recém formado a todo custo.


Então, começaremos pelo início de tudo: a formação do mundo, ou seja, o Novo Ensino Médio — revogue já! Essa porcaria é bom para quem? Diminuindo a carga horária de todas matérias, para o professor formado em Letras sobra o quê? Muitas vezes nada na sua área. Ainda mais quando ele tem apenas uma habilitação e esta é em alguma língua estrangeira — primeiro ponto que difere-se entre tantas outras universidades que habilitam professores em Português e alguma outra Língua Estrangeira Moderna.


Mas, tapando o sol com a peneira, há a volta do vestibular e tantos outros problemas que só evidenciam a falta de mobilização e honestidade entre os diretórios, principalmente, naquele que deveria centralizar a comunicação e expor as pautas que os demais não possuem conhecimento. Acarretando em merda atrás de merda que só sabemos quando ela é jogada no ventilador e não há mais volta.


Enfim, deixaremos isso para desenvolver em outro momento para que não achem que os assuntos estão se misturando. Mas, aviso que sim, uma coisa acaba implicando na outra em certo momento.


Omissão daqui, conivência dali. Os reflexos disso, no fim, queima os estudantes das Letras, que quanto mais novos no curso, menos compreendem a problemática que estão se inserindo e que terão que lutar para melhorar, já que a antiga gestão do Diretório Acadêmico das Letras nos deixou na mão a partir do momento que ignoraram a problemática da reforma dos currículos até a sua completa dissolução durante a pandemia — sem eleição e nem nada, pois bonitos se formaram antes de pensar em quem ficaria. (Claro que agora temos um novo DAL, mas as lutas voltaram a estaca zero. Passos de formiguinha novamente.)


Assim, retomaremos a questão do currículo: o qual não só sobrecarrega o aluno com mais de sete disciplinas obrigatórias todos os semestres, como também corrobora para uma grade curricular repetitiva, não linear e inadequada à realidade da educação e ao mercado de trabalho. Sem contar a desatualização dos referenciais teóricos de algumas disciplinas. Imagine ter uma disciplina sobre Educação Especial com texto dos anos 1980 que ainda trata a pessoa com deficiência como portadora de necessidades especiais durante o semestre todo — sendo este apenas um dos exemplos que poderia citar.


Logo, são tantas disciplinas continuadas que inviabilizam o preparo do estudante naquilo que ele realmente precisa. Por exemplo, Latim e Tecnologia na Educação que somam mais de 200 horas de aula obrigatória, enquanto Gramática da Norma Padrão ou Introdução ao Texto Oral — este tendo um objetivo genuíno ao preparar a comunicabilidade do futuro professor em sala de aula — são facultativos para o licenciando. Agora pense na BNCC, ainda mais no contexto do Novo Ensino Médio, o que está cobrando do professor? Quais habilidades e conteúdos ele tem que dinamizar em sala de aula?


Quando eu era aluno, cansei de escutar dos meus professores — formados no mesmo curso e universidade que me graduo — falarem que Letras não prepara para ensinar os conteúdos que eles próprios davam em aula. E, pelo visto, é verdade.


E tudo piora conforme os semestres vão passando, pois é impossível diminuir a carga horária de, pelo menos, 8 a 9 disciplinas por período, se quiser se formar no tempo previsto, óbvio. Ainda por cima ao passar pelos estágios e TCC, tem que estar preparado para cursar mais disciplinas que não teriam necessidade de serem obrigatórias. Sobrando a única saída de atrasar a formação — único problema disso é que nem todo mundo tem a mesma estabilidade psicológica e financeira.


Mas, tudo isso é feito exatamente para o quê?


Parece que é mais para servir à bolha acadêmica — indo pelo mais convencional — e encher grupos de pesquisa de voluntários para que os orientadores possam manter atualizados os seus currículos Lattes; do que nos mostrar e nos preparar para as possibilidades não só na área da docência, mas também na da pesquisa sem comprometer a nossa saúde.

 
 
 

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1 comentário


Cass Ramires
Cass Ramires
25 de jul. de 2023

Crítica mais que necessária 👏👏👏

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Palavras em Prática: Escrito por Vit

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