mais ou menos um dia
- Vitoria Carolini
- 7 de fev. de 2024
- 1 min de leitura
hoje está sendo um dos dias mais ferrados durante esses dois meses de um recém processo de luto... bateu a raiva, a dor, a carência e, principalmente, a saudade.
não a saudade daquela pessoa que conversei por último, que ficou se martirizando e me culpando, enquanto eu procurava respostas nos vazios dos sumiços e das perguntas em cima das minhas perguntas. sinto saudade daquela pessoa que disse que estaria sempre ao meu lado quando precisasse conversar, desabafar ou falar bobagem. saudade daquela pessoa que eu poderia mandar um flertes meio tortos sem parecer estranha. saudade daquela pessoa que eu poderia contar todos os mínimos detalhes do meu dia, inclusive sobre o meu laudo para TDAH, que surpreendentemente constatou que sou mais hiperativa do que desatenta.
culparei esse transtorno, assim como a hiperatividade, para explicar racionalmente o porquê de tanta saudade. sou engessada para mudanças, não sei lidar com o luto, ainda mais de alguém que eu sei que está vivo e, a principio, muito bem vivo para que não demorasse e logo já estivesse em outra cama.
mas, eu sei... eu sei que não há só uma pessoa, mas sim tantas outras que me causarão diversas sensações e emoções diferentes das quais você já me proporcionou. eu sei que apenas gostaria de me sentir justiçada com toda a dor que carrego e que tudo será cármico de alguma forma.
mas... como eu disse, tenho dificuldade com mudanças e é tão ruim me perguntar todos os dias: eu não era suficientemente importante para que você ficasse mesmo quando te permiti que fosse embora da minha vida?



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