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síndrome do coração partido



há tempos sem escrever nada que não fosse relatórios e mais relatórios, escolho essa união de signos para transformar os significados que vão para além das normas e do explicável.

há tempos eu me sentia diferente, precisava mudar algo para conseguir me sentir viva, mas não era sobre essa dor no peito que hoje sinto que eu me referia.

essa dor no peito que outrora pegava fogo, um fogo grego que nao parava queimar acabou que uma hora parou e o corpo cansou, a mente se exauriu, os olhos arderam no meio das lágrimas que marcavam a pele do rosto pela raiva de ser deixada de lado por tantas outras coisas mais importantes.

há um mês segurava com força o coração para que ele não se despedaçasse. há um mês as lágrimas paravam de escorrer, pois acabaram. há um mês me senti tão pequena, tão esquecível, tão impotente, tão irrelevante.

eu juro, estou tentando me curar, pois eu sei que sou tão jovem para me sentir assim, não é o fim da vida. apenas o fim de um futuro que foi construído em esperanças, um fim tão rápido e fácil por uma uma dor tão profunda e intensa. um fim tão insignificante para um amor que parecia tão forte, mas que era fraco, era insignificante, não era o mais importante pelo visto.

eu só queria fazer isso parar de doer, eu só queria que tivesse lutado tanto quanto lutei e me mostrado que era verdadeiro para você também e não um faz de conta para passar o tempo de carência. eu queria ter conseguido sentir os meus sentimentos e falado sobre tudo o que me doesse para que fosse curado com o teu amor. eu queria terminar com o fim de todas essas incertezas e inseguranças, mas no fim foi o fim da nossa união que parecia que iria durar mais 1010 anos.

mas agora só a deusa sabe o quanto eu estou tentando me recarregar dos rios que nasceram em mim e abriram lacunas imensas no meu coração com essa perda irreparável. 

mas, por que tanta dor em alguém tão pequena e fraca, facilmente substituível e esquecível a ponto de ser morta nas memórias?

deusa, por favor leva essa dor, porque eu sei que não há remédio que curará isso e que nem tornará em realidade a vida que levo enquanto durmo.

eu não aguento mais chorar por alguém que foi embora de tantas formas antes de desistir e partir. e o pior que não aguento mais ter esperança de existir aquele eu em você que achei que fosse real.

agora só a deusa sabe o quanto espero que veja a notificação dessa crônica e entenda de uma vez por todas como eu me sinto, porque eu também queria que tivéssemos conseguido.

mas, no fim, agora eu sei que já não conheço mais a pessoa pela qual me apaixonei no verão dos meus vinte anos desde antes de tudo isso acontecer. talvez, eu nunca a tenha conhecido de verdade.


tentarei me curar.


 
 
 

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