Somos seres simbiontes do amor?
- Vitoria Carolini
- 10 de out. de 2021
- 3 min de leitura

Confesso que nesses últimos 20 dias não foram os mais fáceis. Passar por um término que não esperava que fosse acontecer dói. Dói muito. A ficha ainda não caiu e a sensação do vazio me atinge quando menos espero.
Só que, simplesmente, não era o momento para dar certo como gostaria que tivesse acontecido. E, por isso é necessário que tenhamos responsabilidade emocional não só com a pessoa que estamos nos relacionando, como também com nós mesmos para que o tempo não torne isso nocivo aos dois.
Infelizmente, a procura pela minha verdade me impediu de chorar por isso — não posso negar que algumas lágrimas caíram em alguns momentos. Contudo, sinto que ainda não foi o suficiente, porque de certa forma eu me conheço o bastante para saber o quão dependente eu sou e é justamente por conta disso que venho atualizar este blog.
Durante os 364 dias que passei ao lado dele, não lembro quantas vezes fiz algo por mim e porque eu queria, sendo difícil de pensar nisso ao passo que desde que entrei na adolescência me tornei uma pessoa dependente do contato social para a minha própria realização. Exemplo: nunca fui alguém que conseguisse criar vínculos de amizade fortes o suficiente para não me fazer sentir a solidão, então acabei encontrando como a minha válvula de escape o apego.
Como o Venom. Um simbionte.
Uma alegoria meio tosca, boba e infantil, mas para mim faz todo o sentido. Conforme podemos ver que o Venom é um ser que precisa de um hospedeiro para sobreviver, assim somos com o amor quando não estamos preparados para entender o seu real significado. E assim tenho passado os anos.
Contudo, não somos um tipo de simbionte que necessita do amor de outrem e nem precisamos de alguém conosco para manifestar quem realmente somos. Um caminho difícil que não nos é ensinado, pois são raro os pais que ensinam os seus filhos o amor próprio — principal causa dessa consequência —, e no fim acabamos ter que descobrir sozinhos algo que era para ser básico.
Amar outrem não é remédio da cura.
Amar outrem não é suprimento de carência.
Amar outrem não é motivo para procurarmos o nosso melhor.
Tudo isso deve vir com o amor que sentimos por nós mesmos, senão só iremos machucar os outros e nós mesmos. Os primeiros passos não são fáceis, mas não são impossíveis. Claro que, às vezes, durante esse processo precisamos de alguém para podermos enxergar esse lado que muitas vezes está escondido pelos nossos traumas e medos e que seja de preferência um profissional.
Finalmente quando eu aprender a transformar a solidão em solitude, me sentirei capaz de amar alguém novamente. Então, quais estão sendo os meus primeiros passos?
Fazer terapia para me curar mentalmente de tudo o que já causei por conta da solidão;
Reconhecer os meus sentimentos;
Permitir-me a chorar — ainda estou nesse processo;
Começar a fazer tudo aquilo que esperaria fazer com alguém.
Sendo o 4° passo o meu favorito, pois consegui vencer o medo e ir sozinha ao cinema ver nada menos que Venom: Tempo de Carnificina. Não foi o que esperava (do filme) e a sensação de estar sozinha vendo algo que estava animada para assistir é extremamente estranha, mas extremamente reconfortante de sentir a capacidade de encarar a independência das relações sociais. E esse é só o começo daquilo que chamam de autoconhecimento, espero que valha a pena.
Uma pequena Vitória todo dia.


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