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Quem sou eu?



Olho-me no espelho e me questiono "por quê?". Como criança a minha mente se enche de porquês, sem respostas volto a minha cama e me deito. As músicas fluem nos meus pensamentos como seu fenômeno físico no meio do ar, já as lembranças me acalentam como a mãe que nina seu filho na cama, se entrelaçando nas pequenas conexões das minhas sinapses, fazendo me ser quem eu sou. Mas quem sou eu?

Estou a procura de mim mesma desde que nasci, mas cada vez mais me perco na busca da minha verdadeira essência e assim ocorre com todos. Esqueci quem sou e não sei se consigo recuperar a pessoa que um dia fui. Embora deixo de ser quem eu fui constantemente e isso não significará que permanecerei por mais que um singelo instante quem eu me encontro agora em ser. Às vezes, eu só gostaria de ser aquilo que sinto que já fui, reviver aqueles sons, cheiros e toques. É estranho estar em um momento de lazer e de repente tudo aquilo que você se esqueceu de ter esquecido volta a ser lembrado.

No fim, por tanto querermos ser acabamos não sendo nada, deixando de viver aquilo que está na frente dos nossos olhos para ser algo que nunca conseguiremos carregar para sempre, deixando que um dia tudo isso caia nesse ciclo vicioso da busca pelo tesouro no fim do arco-íris que não deixamos existir pós-tempestade.

 
 
 

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