De volta ao real
- Vitoria Carolini
- 27 de fev. de 2021
- 1 min de leitura

Os dados não rolam mais, as fichas são guardadas, todos vão embora e a porta se fecha. O silêncio paira no ar e o mestre suspira, pois agora é tempo de pensar já que não é mais hora de planejar universos na Terra Média ou numa Terra alternativa com vampiros e lobisomens; pois, infelizmente, o mundo dos adultos é o RPG mais assustador que se pode viver e agora não há mais tempo de fugir dessa missão.
Uma realidade que outrora foi lar de dragões anciões até bravos anões, torna-se uma sociedade em decadência, que se opõe a diversas campanhas e aventuras que todo jogador se engaja a desbravar; pois, aqui, o reino é dado por um governo que não há herói que possa nos salvar já que os monstros não morrem com o nosso dano e a luta é constante, passando de geração em geração.
Rolar os dados na vida real é o destino te sorteando se nascerá privilegiado ou morrerá marginalizado, porque a verdade é nua, crua e podre. Embora muitos tentam exercer a sua empatia, não há balança que pese em equidade.
Enfim, o mestre, que, como um deus, controlava um universo há poucos minutos atrás, deita-se no sofá com os pés calçados no braço do móvel a espera de um amanhã que não faz ideia do que o espera.


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